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Aspectos sociais e históricos das relações em redes

A variedade de produtos provenientes de relações em redes é muito grande, inclusive composto por categorias com públicos bem segmentados, como o Beautiful People (rede social segregada que permite apenas usuários com boa aparência e serve especificamente para encontrar um par ideal), o PrisonVoice (criado na tentativa de amenizar a vida de quem está na prisão, foca nas amizades que podem ser desenvolvidas. Cada presidiário tem um perfil e através de um sistema similar ao do Facebook, interage com detentos de várias localidades dos Estados Unidos) e o Second Love (rede social para buscar novos relacionamentos, com versões disponíveis em vários países, inclusive o Brasil).

Voltando um pouco na história, os primeiros relatos de serviços com características se sociabilizar dados surgiram em 1969, com o desenvolvimento da tecnologia dial-up e o lançamento do CompuServe — um serviço comercial de conexão à internet em nível internacional muito propagado nos EUA.

Outro passo importante foi o envio do primeiro email em 1971, seguido 7 anos depois pela criação do Bulletin Board System (BBS), um sistema desenvolvido por dois amigos de Chicago para convidar outros amigos para eventos. Essa tecnologia usava linhas telefônicas e um modem para transmitir os dados.

Já os anos seguintes foram marcados por um grande avanço na infraestrutura dos recursos de comunicação. Por exemplo, em 1984 surgiu um serviço chamado Prodigy para desbancar o CompuServe. O fato mais marcante desse período aconteceu em 1985, quando a America Online (AOL) passou a fornecer ferramentas para que as pessoas criassem perfis virtuais para descrever a si mesmas, além de criar comunidades para troca de informações e discussões. Em 1997, a empresa implementou um sistema de mensagens instantâneas, o pioneiro entre os chats e a inspiração dos  messengers que utilizamos agora.

Em 1994, é lançado o GeoCities com seus primeiros traços de redes sociais. O conceito desse serviço era fornecer recursos para que as pessoas pudessem criar suas próprias páginas na web, divididos por sua localização. O GeoCities chegou a ter 38 milhões de usuários, foi adquirido pela Yahoo! Em 1999 e foi fechado em 2009.

Outros dois serviços foram anunciados em 1995, dessa vez com características mais claras de um foco voltado para a conectividade entre pessoas. O The Globe dava a liberdade para que seus adeptos personalizassem as suas respectivas experiências online publicando conteúdos pessoais e interagindo com pessoas que tivessem interesses em comum. E o Classmates, que disponibilizava mecanismos para que os usuários pudessem reunir grupos de antigos colegas de escola e faculdade, com o intuito de trocar novos conhecimentos ou até mesmo marcar reencontros. Essa rede social ultrapassou 50 milhões de cadastros e sobrevive até hoje, mas com um número menor de participantes.

Por volta dos anos 2000, como analisado no material, a internet teve seu verdadeiro “boom”, com um aumento significativo de presença no trabalho e na casa das pessoas. Automaticamente, as redes sociais alavancaram uma imensa massa de usuários e outros serviços surgiram.

Em 2002, nasceram o Fotolog e o Friendster. O Fotolog era composto por publicações baseadas em fotografias acompanhadas de ideias ou o que chamasse a atenção dos usuários, além do fato de poder seguir as publicações de conhecidos e ainda comentá-las. A rede existe até hoje, tem cerca de 32 milhões de perfis, já veiculou mais de 600 milhões de fotos e está presente em mais de 200 países.

Já o Friendster foi o primeiro serviço a receber o status de rede social e suas funções permitiam que as amizades do mundo real fossem transportadas para o espaço virtual. Esse meio de comunicação e socialização atingiu 3 milhões de adeptos em apenas três meses.

Ao longo de 2003, foram lançados o LinkedIn (voltado para contatos profissionais) e o MySpace (considerado uma cópia do Friendster). Ambos ainda estão no ar e com uma excelente reputação. Atualmente, o LinkedIn conta com mais de 175 milhões de registros (sendo 10 milhões apenas de brasileiros) e e o MySpace marca 25 milhões apenas nos EUA, embora esse número já tenha sido maior. Eu mesma posso relatar duas experiências muito positivas com o LinkedIn: há 3 anos recebi uma oferta de trabalho fora de São Paulo (tive meu perfil avaliado por uma ótima empresa de RH sem que participasse de algum dos grupos de discussão na época) que, apesar de ser excelente, não pude aceitar pela grande distância. E a segunda aconteceu no ano passado, quando uma empresa que já prestei serviço no passado me recontatou para um novo trabalho (que foi executado e acabou se tornando um cliente atual).

O ano de 2004 foi considerado o ano das redes sociais, com a criação do Flickr, Orkut e Facebook. Parecido ao Fotolog, o Flickr é um site para quem adora fotografias, com a possibilidade de criar álbuns e compartilhar acervos de imagens. Atualmente, mais de  51 milhões de pessoas utilizam seus recursos.

O Orkut, rede social do Google, foi durante anos a mais usada pelos internautas brasileiros,  até perder seu título para o Facebook em dezembro de 2011. Um dos levantamentos mais recentes aponta que cerca de 29 milhões de pessoas ainda o utilizam.

Apesar de ter sido criado em 2004, dentro do campus da Universidade de Harvard, o Facebook só atingiu um grande número de usuários em 2006. De lá para cá, a rede social é sinônimo de sucesso e crescimento.

O Twitter, microblog criado em 2006 e que atualmente é o que mais se aproxima do Facebook em número de adeptos, tem aproximadamente 500 milhões de registros, embora a estimativa diga que somente 140 milhões o utilizam com frequência.

A mais recente rede social a entrar nessa complicada disputa é o Google+. Lançado oficialmente em 2011, o serviço tem em média 400 milhões de inscritos (somente 25% estão ativos).